
O que deveria ser apenas um atendimento de rotina para uma mãe em resguardo e sua filha recém-nascida se transformou em um pesadelo em Carinhanha. Os exames médicos realizados no Hospital Regional de Guanambi (HRG) e os laudos iniciais descartaram que a bebê de apenas sete dias de vida tenha sido vítima de abuso sexual.
A suspeita inicial, levantada por uma médica plantonista do atendimento municipal de Carinhanha, gerou repercussão na imprensa local e nas redes sociais, e segundo a mãe, expôs a família a um grave constrangimento emocional e até mesmo a ameaças por parte da população.
Em entrevista ao site Alerta Bahia neste sábado (05) de setembro, a mãe da criança, conhecida como Bya Ataide, detalhou o drama vivido e criticou o diagnóstico inicial que desencadeou a suspeita infundada. “Demais, viu, David? Demais. Um mal-entendido, assim, um desconforto tanto físico como emocional. Imagina uma mãe de resguardo passar por isso tudo? É complicado demais”, desabafou.
Ela relatou que levou a filha ao hospital após notar um pequeno sangramento na fralda, mas não imaginava a proporção que o caso tomaria. “Quando a médica me disse que tinha um rasgo, ela foi logo chamando a polícia e o Conselho Tutelar. Mas eu mesma olhei e não vi rasgo nenhum, não tinha ferimento“, explicou a mãe.
A transferência rápida para Guanambi foi fundamental para esclarecer a situação e comprovar a inocência da família. Segundo os relatos da mãe, confirmados pelos relatórios médicos do HRG, a criança passou por uma avaliação minuciosa com três especialistas.
“Quando chegamos em Guanambi, a primeira médica pediatra que examinou a meniana disse que não tinha rasgo nenhum. Até ela perguntou de onde a médica de Carinhanha tirou essa informação de ferimento, porque ela olhou e não viu machucado nenhum. Os três médicos descartaram, disseram que não tem indícios de abuso, não tem ferimento nenhum”, afirmou a mãe.
O sangramento na fralda, que motivou a denúncia inicial, é, na verdade, uma condição clínica natural conhecida como Hemorragia Vaginal Neonatal (ou pseudomenstruação). O laudo emitido pelo Hospital Regional esclareceu o diagnóstico.
“A médica lá explicou que esse sangue é tipo uma menstruação, causada pelos meus hormônios que passam para ela através do leite materno. O médico disse: ‘Dona Maria, é como se fosse sua menstruação, ela é mulher como você. Isso pode durar de um a cinco dias’. É algo normal, e a médica daqui fez esse alarde todo“, lamentou a mãe.
Com os laudos médicos do HRG em mãos que comprovam a inexistência de crime, a mãe aguarda agora apenas a emissão do laudo final do exame de corpo de delito, realizado no Instituto Médico Legal (IML), que será entregue na próxima terça-feira (8) devido ao feriado de Independência do Brasil.
A notícia de negativa das suspeitas é recebida com muito contento, não só pela família, mas também por toda sociedade que aguardava o desfecho do caso.
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Publicado em: 07/09/2026 – 16:05
Da Redação
Por: David Porto - Registro: MTBE 0006322-BA
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