Governo projeta controle de gastos, mas deixa R$ 34 bilhões em promessas fora do orçamento

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Imagem reproduzida da TV Globo

Um levantamento da Instituição Fiscal Independente (IFI) aponta que pelo menos R$ 34 bilhões em despesas anunciadas pelo governo para o próximo ano não constam no projeto de orçamento enviado ao Congresso Nacional em agosto. Entre as promessas de campanha e os novos programas que ficaram de fora da previsão oficial estão o reajuste do Bolsa Família, o programa Desenrola 3.0 (voltado à renegociação de dívidas de pessoas físicas), o Pix MEI (que prevê repasses de R$ 5 mil a microempreendedores) e o Pé-de-meia Universitário, destinado ao apoio financeiro de estudantes de graduação.

A ausência dessas despesas no orçamento expõe o desafio da atual gestão em equilibrar as contas públicas, que registram resultados negativos há três anos consecutivos. De janeiro a agosto, o déficit primário do Governo Central acumulou quase R$ 94,9 bilhões. Consequentemente, a dívida pública bruta atingiu 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto, o maior patamar registrado em mais de cinco anos. Esse cenário de avanço nas despesas afeta diretamente a política monetária do país, inviabilizando a redução da taxa de juros por parte do Banco Central.

Para o próximo ano, a meta fiscal estabelecida é de um superávit de 0,5% do PIB, o equivalente a aproximadamente R$ 73,2 bilhões, havendo uma margem de tolerância (banda) que permite variação nesse resultado. O Ministério da Fazenda, representado pelo secretário-executivo Dário Durigan, afirmou que o governo prepara medidas efetivas para perseguir o centro dessa meta, o que exigirá, na prática, um controle mais rígido das despesas públicas.

Apesar do discurso oficial, economistas e especialistas do mercado alertam que o governo tem recorrido às bandas da meta fiscal e à manobra de retirar determinadas despesas do cálculo oficial apenas para acomodar mais gastos, em vez de promover um ajuste estrutural nas contas. O alerta do setor econômico é para a urgência na adoção de ações concretas capazes de frear o avanço ininterrupto das despesas obrigatórias, a exemplo dos benefícios da previdência, que não param de crescer e pressionam o orçamento nacional.

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Publicado em: 28/10/2026 – 10:51

Da Redação

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